Notas sobre "Livro Usado", Jacinto Lucas Pires
[04-09-2010] |
Não tem princípio, nem fim. Como a vida. É um caderno de notas de viagem numa viagem ao Japão, cujas principais cidades visitadas são Tóquio, Matsuxima, Matsué, Hiroxima, Cagoxima, Nagasáqui, Tocoxima, Himeji, Osaka, Quioto, Nico. Um livro anónimo, de um narrador viajante anónimo, que podia ser qualquer um no mundo, mas é de uma objectiva portuguesa que saem os mundos interpenetrados por ela. São pequenos universos paralelos uns aos outros que no decorrer da narrativa se ligam através da câmara do autor. A narrativa é construída por pessoas anónimas e seus artefactos distintivos: "um homem de óculos e gravata", "uma mulher de cinquenta e tal anos", "um velho numa bicicleta bêbeda". Penso que essas descrições fazem parte do mote da narrativa de um autor-viajante "escrever sobre a vida, fazer da vida o assunto, compreender a vida". Isso tudo requer certamente mais do que dar um nome a um ou uma personagem. Tanto mais que essas persona...
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As Rotas do Sonho - Tiago Salazar
[26-08-2010] |
O autor andarilho publicou em Junho passado sonhos em forma de caminhos percorridos. As rotas escolhidas trilham a continuidade do universo deste autor: exotismo, luxo, hedonismo. A cada vez que fecho o livro para o admirar - a sua capa é uma absoluta marca de bom gosto - esta escrita de exigência cosmopolita, cujas palavras nos levam rapidamente a entrar no devaneio dos miraculosos spas, dias de paz e vitalidade, mimos e cuidados femininos, não relega para número dois a aventura que percorre as linhas. As reflexões são, muitas vezes, como se pode ler no capítulo da Turquia, piamente imbuídas daquilo a que Salazar não se pode furtar, a sua masculinidade. Pergunto-me sempre que começo a ler um livro de viagens qual é o projeto ou linha condutora que liga os destinos visitados, tantas vezes aliatórios. Apesar de não ter descoberto nada mais que o trabalho do autor como jornalista de viage...
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Férias para sempre
[20-08-2010] |
No verão quem não deseja viajar? E se essa sensação de liberdade e de encontro com o novo nunca desaparecesse? É disso que trata este livrinho pequenino em que o conceito de férias se vê imortalizado para sempre em forma de aventura a dois - dois bons amigos que viajam pelo mundo. Um mundo escolhido a dedo por ambos e que relega para um plano de não-importância os habituais percursos turísticos, percorrendo página a página apenas os locais agradáveis. Cafés, casas de chá, pastelarias e pousadas, hotéis ou residenciais são a bússola de leitura deste opúsculo. Para mim é interessante verificar que no livro o espaço luso-falante é o segundo mais visitado, a seguir ao do oriente, desdobrado em Índia, Indonésia, Vietname e Tailândia. A preponderância em relação ao espaço anglófono é saliente e por isso, surpreendente. Sete das aventuras descritas passam-se em locais lusófonos: na Índia, Diu, em Portugal, Coimbra, Luso, a Praia das Maçãs e Lisboa, no Brasil, Salvador da Bahia, e...
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Manual de instruções para Portugal
[30-06-2010] |
Foi em cafés e restaurantes e encontros com portugueses de vária espécie que o livro se viu nascer. Um livro escrito para agradar às massas, à hipérbole de turistas alemães que desertam o país ao longo do ano inteiro – e não só no nosso querido mês de agosto - e um livro que certamente levou alguns a Portugal ou alguns é que o levaram consigo para se entenderem por lá. Cheio de ironia lúdica e exageros q.b. no que respeita aos traços de comparação culturais – sempre perigosos – entre portugueses e alemães, mas alicerces necessários a quem se quer entender no país e desenvolver uma qualquer característica humana entre apatia cultural, para além do ah, é muito bonito e ah, é património cultural da humanidade, e o aceitar incondicionalmente a cultura que se visita, para, pelo menos, durante o pequeno...
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Prémios, RPG e Atmosfera
[22-03-2010] |
A Feira de Leipzig é uma das maiores feiras internacionais de literatura. Tem um significado histórico de tal modo importante para a cidade, que talvez seja por isso que Leipzig é chamada a cidade do livro. Mesmo durante a época da RDA, a feira promovia o contacto intercultural entre a Alemanha de Leste e o resto do mundo e os estudantes de línguas faziam muitas vezes a interpretação dos autores visitantes estrangeiros. Os pontos temáticos da feira não são tão abrangentes e tão ocidentais como os da Feira do Livro de Frankfurt – mais famosa entre nós, não sendo contudo por isso que países não-temáticos não tenham o seu lugar. Portugal infelizmente nunca participa com uma grande presença em comparação com a que se pode observar provinda do leste da Europa, a do médio-oriente, e ainda a da América Latina. O país é muitas vezes representado apenas pelos tradutores. Apesar da cidade de Colónia ter iniciado um Festival Literário na mesma fase, o Lit.Cologne, a Feira do Livro de L...
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Traduções
[21-03-2010] |
Os dois tradutores presentes na Feira do Livro de Leipzig 2010 são praticamente já residentes na feira e são aqueles que mais contribuem para a divulgação da cultura portuguesa entre o público alemão. Por isso lhes faço aqui um tributo meio desajeitado, expressando com isto a minha admiração pelo seu trabalho e desejando que o seu trabalho continue a ser louvado pelas organizações portuguesas que os têm apoiado!Markus Sahr e Michael Kegler são dois nomes para dois espíritos muito diferentes, que se materializam nas traduções que têm feito de obras portuguesas de conteúdos também distintos. Incomparáveis. Markus Sahr trabalha como professor de Português como Língua Estrangeira em Leipzig e ensina também Alemão como Língua Estrangeira na mesma cidade. O seu ser harmoniza-se, contudo, muito melhor com o sil&...
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“Já não somos Günther Grass, somos Harry Potters”
[21-03-2010] |
Conforme o próprio autor anunciou no seu blogue “Rui Zink versus livro”, o Rui Zink veio à RDA, à mítica Feira do Livro de Leipzig, para ler, conversar e falar a sério sobre o seu modo de escrita.O autor considerado na Alemanha como o Harald Schmidt português, um satírico comediante alemão, dramaturgo e apresentador de programas de televisão, cuja base são piadas simples, cruéis ou cínicas sobre o seu país. Assemelham-se à “Noite da Má Língua”, que reuniu os representantes da Literatura e Cultura Pop em Portugal - Rui Zink e Miguel Esteves Cardoso – e impregnou os anos 80 portugueses dos bons “infant terribles”, onde Rui Zink preparou o seu público para os seus futuros romances.Esta leitura organizada pelo próprio tradutor de Rui Zink, Michael Kegler e pelo seu autor oficial, Martin Ammanshauser, com o apoio do Inst...
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Tróia literária – que pena que não vivemos no planeta Avatar!
[18-03-2010] |
As Helenas ficam caras. Foi por causa de Helena que a Guerra de Tróia teve início e há também na Alemanha uma determinada Helene, que também desencadeou uma guerra na literatura, pôs o mundo pensante a pensar melhor no que faz antes de gáudios a autores e elogios a obras literárias. É que a cultura do corta-e-cola, termo cunhado por um jornalista do Berliner Zeitung para este caso, é um assunto que pensamos restringir-se ao mundo escolar, às vezes ao mundo académico e tínhamos talvez dado por encerrado o mundo literário. Pensamos à partida que não faz sentido numa criação, que vai ser apreciada exactamente por ser uma criação, copiar. Mas se bem que não sendo assunto novo, nem, que normalmente, coloque o autor copião em lugar de grande distinção ética, a atração pela fama de autor publicado, coloca pr...
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Miguel Sousa Tavares na Europa Haus, Berlim
[15-03-2010] |
No passado dia 11 de Março, Miguel Sousa Tavares esteve na Europa Haus em Berlim para levar uma presença portuguesa às noites literárias organizadas pela EUNIC e contar das suas aventuras pelo Equador. De facto, o seu livro “Equador” foi traduzido para alemão e editado pela Fundação Bertelsmann (o Círculo de Leitores alemão), constituindo este um marco de interesse pela cultura portuguesa contemporânea.Os romances históricos deste autor são à primeira vista assustadores pelo portentoso volume que apresentam, mas eis que, uma vez iniciados, as páginas deixam de ter números e as letras todas em conjunto simplesmente deleitam o leitor de modo que o fazem esquecer das horas.É curioso reparar que os protagonistas de ambos os romances são jovens de elite, bon-vivants e entusiasmados pela cultura nacional e internacional, têm um ideal político re...
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António Manuel Pacheco
Carlito Lima
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