Ana Maria Delgado
[09-10-2009] |
Um ano de PNETLiteratura (para mim seis meses em que pude ler, pensar, comunicar com outros cronistas e colaboradores, redescobrindo a literatura em contextos diversos, por vezes até mesmo inesperados, e sempre criativos) - parabéns a todos, em especial ao nosso editor, Luís Carmelo, pela sua energia, entusiasmo e sobretudo pela capacidade de entender cada um dos autores na sua especificidade. Sendo a escrita para mim antes de mais um espaço de comunicação – para além da oportunidade de dar a conhecer textos meus por publicar - a PNETLiteratura tem-me levado a redescobrir o próprio mundo, incentivando-me a olhar o que me rodeia com outros olhos. Muito provavelmente nunca teria olhado como olhei para o café/livraria “Busboys and Poets” em Washington, D.C., revisto Matisse em Baltimore, reparado nos livros do Senhor Presidente ou ouvido um concerto em Georgetown como fiz, se não fosse pelos leitores, ...
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NO PRIMEIRO ANO DO PNETliteratura
[18-09-2009] |
A relação de escritores brasileiros com Portugal tem sido fecunda e boa, desde – até onde alcança o meu pouco saber – 1909, quando Lima Barreto publicou o romance Recordações do Escrivão Isaías Caminha, em Lisboa. A recíproca é verdadeira. O Brasil também recebeu e recebe com atenção os escritores lusófonos – e não me refiro a Fernando Pessoa e Saramago, nomes consagrados em todo o mundo. Já antes, Eça de Queirós foi reverenciado em associações e sociedades de brasileiros. Agora, escritores africanos, novos, como Ondjaki, bem sabem: do lado de cá do Atlântico, têm recebido um justo e merecido louvor. Neste novos tempos, o site PNETliteratura continua essa tradição, essa boa convivência entre escritores dos dois lados do mundo. Ou melhor, pela literatu...
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A volta de Soledad
[22-06-2009] |
Em muitos textos publicados no Direto da Redação, no La Insignia, no Observatório da Imprensa, no site Novae, mais de uma vez escrevi sobre as estranhas pauta e notícia na imprensa brasileira. Estranhas, para não usar palavra mais dura. Me pareceu sempre que a notícia no Brasil se escolhe antes da realidade (o repórter sabe as respostas antes das perguntas), apesar da realidade (o editor destaca o contrário do declarado) e, com freqüência, anula por completo a realidade (o jornal publica um outro mundo). Entendam que as linhas a seguir, apesar do interesse claro e direto deste colunista, ilustram mais um caso. Concedam. A notícia da publicação do meu próximo livro, que em uma notinha curta e envergonhada inseri ao fim da coluna anterior, foi distribuída por minha conta e risco aos jornais de minha terra (Pernambuco, salve ó terra dos altos coqueiros) e revistas. E o que distribuí foi não só despudorado, pois assim é a qualidade dos releases, quanto sincero, como é da natureza do desp...
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Poeta Geraldo Carneiro
[20-06-2009] |
Geraldo Carneiro nasceu em 11 de junho de 52, em Belo Horizonte. Três anos mais tarde, mudou-se para o Rio de Janeiro.Poeta, publicou Na Busca do Sete-Estrelo (74, Mapa Editora),Verão Vagabundo (80, Editora Achiamê), Piquenique em Xanadu (88, Espaço & Tempo, Prêmio Lei Sarney de melhor livro do ano), Pandemônio (93, Arte Editora), Folias Metafísicas (95, Editora Relume-Dumará), Por Mares Nunca Dantes (Editora Objetiva, 2000) Lira dos Cinqüent’anos (Relume-Dumará,2002), e Balada do Impostor, Editora Garamond, 2006. Publicou Vinicius de Moraes: A Fala da Paixão (Brasiliense, 84) e Leblon: A Crônica dos Anos Loucos (Rioarte/Relume-Dumará, 96), além de alguns sonetos traduzidos de William Shakespeare, na coletânea Sonhos da Insônia (Impressões do Brasil, 97), publicada em parceria com Carlito Azevedo. Escreveu ma...
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Um Recife sem Escritores
[11-05-2009] |
A notícia corre a cidade: o Plano Municipal de Cultura do Recife aceita opiniões antes de virar lei. E quem estiver interessado em contribuir, que escreva para o vereador Osmar Ricardo, osmar.ricardo@recife.pe.gov.br. Isso até segunda-feira. Por isso me apresso em tornar pública esta mensagem, para que a caixa postal do vereador não a devolva entre tantas sugestões de maior peso. Por isso tento e atento a seguir.Ainda que me julgue a gente toda por perdido, vendo-me tão entregue a tal cuidado, li o Plano Municipal de Cultura na esperança de vê-lo abrigar os criadores de prosa e verso. Erros meus e má fortuna em minha perdição se conjuraram, dá vontade de dizer. Mas digo, olhando bem: no Plano os escritores sumiram, se é que existem, pois raro são vistos na cultura da cidade. Parece que, com exceção de Ariano Suassuna, não há escritores no Recife. Entendam, por favor, Ariano vive sua glória com justiça, depois de toda uma vida de trabalho, criação e literatura. Mas no Recife existe só A...
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Augusto Boal, lembrança
[11-05-2009] |
Os necrológios envergonhados dos jornais se abrem hoje com o registro "Morreu na madrugada deste sábado, aos 78 anos, o diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta Augusto Boal", para depois, num acréscimo, dizerem coisas como "em 1971, foi preso pelo regime militar, pelas ligações com o Partido Comunista do Brasil. Três meses depois, ao ser solto, foi para os EUA e, em seguida, para Argentina e Portugal". E as folhas mais mostram quanto mais escondem, pois fica patente o constrangimento do registro do falecimento de um homem como tu, ao mesmo tempo que mencionam, de longe, a razão do teu viver. Para os mais jovens, que leem um necrológio de tal natureza, os teus três meses de prisão podem até parecer que foram algo como uma repressão passageira, leve, pelo crime de uma ideologia clandest ina. Historinha dos mais velhos. Isso porque, nesses registros, o pano de fundo do Brasil da ditadura, o teatrinho dos tiros trocados entre terroristas e patriotas, a tortura, os a ss...
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Entrevista a ONDJAKI, por Vanessa Godinho
[18-11-2008] |
Publicas livros a um ritmo indecente, se não me engano de 2000 até a data já vais numa dezena de títulos, foste finalista do prémio Portugal Telecom, tens coleccionado uns quantos prémios em Angola e Portugal, o último o Grizane para África. Curiosamente continuas a ser referido como jovem escritor e oiço falar em palavras como revelação para te distinguir. O que achas que leva um escritor a deixar de ser considerado jovem e passar a ser um mais velho?Nem sei... Esses senhores catalogadores é que devem ter mais jeito para essa questão. Acho que é importante é entender o papel do escritor. A sua escrita. A sua mensagem. As palavras que escolheu para dizer o que queria contar. Agora com 30 anos, e durante mais algum tempo, ainda me vão chamar jovem escritor. Acho que é compreensível. Mas isso passa...Como equilibras a importância da intuição, emoção e desejo em literatura, que a meu ver constituem a matéria viva dos textos, com a necessidade posterior de controlo, corte e correcção? É um...
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Entrevista a Vera do Val, prêmio Jabuti 2008
[30-10-2008] |
Quem é Vera do Val? Fale um pouco de sua trajetória pessoal e literária.Sou paulista e vim para Manaus atraída por uma oferta de trabalho. Deu certo por um tempo. Depois fui ficando Meus filhos vieram. Gosto da cidade, gosto das pessoas daqui. Meus livros estão nascendo aqui, falam desta terra e das gentes dela. É outro Brasil, um Brasil discriminado, pobre, espoliado. E amordaçado.O Sul Maravilha jamais olha para a Amazônia de forma inclusiva. Ou quer nos explorar (veja a famosa história do ciclo da borracha) ou quer tomar decisões em nosso nome. Resolver nossos problemas, debater nosso futuro. Sem jamais ouvir um amazonense ou ouvir os inúmeros cientistas que tiveram a coragem de vir para cá e trabalhar aqui. Alguém já viu, em algum debate importante da mídia, nos Roda-Viva [DC1] da vida, nos cadernos especiais dos grandes jornais, algum amazonense convidado a...
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Na morte de Luciana Stegagno Picchio
[06-10-2008] |
No final de Agosto, mais concretamente no passado dia 28, morreu a professora Luciana Stegagno Picchio, eminente especialista dos Estudos Portugueses e também Brasileiros.Professora da Universidade de Roma La Sapienza, dirigiu o Departamento de Língua e Filologia Românica ao longo de muitos anos e criou a revista Quaderni Portughesi. A obra que nos legou é vastíssima.Destaque-se, para além a famosa Storia del teatro portoghese (Roma, 1964, trad. portuguesa, Lisboa, 1969), Profilo della letteratura drammatica portoghese (Milano, 1967), Ricerche sul teatro portoghese (Roma, 1969), edições críticas de poesia e prosa medieval, renascentista e moderna (lírica galaico-portuguesa, João de Barros, Gil Vicente) e ensaios críticos sobre os principais autores de Língua Portuguesa desde Camões e Fernando Pessoa a José Saramago. Sobre a literatura brasileira, sublinhe-se La littérature br&...
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