A literatura é um rio que se reconhece, hoje em dia, através de uma identidade multifacetada: um vastíssimo esteio de afluentes que disputa os limites de uma fronteira sempre impossível de traçar. É neste limbo dinâmico, ponteado por marés imprevistas, que o site PNETliteratura se situa. Sem dizer que não à turbulência ou à contingência. Interrogando, enquanto publica; dando a ver, enquanto relativa.
Luís Carmelo, Coordenador
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Correspondentes

Cecília Prada*

[05-03-2010] |
1 – No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido? Mais do que nunca – a “verdadeira” literatura, a que tem resistido através dos tempos a todas as ondas de mediocridade, de selvageria, que tentaram submergi-la. Só considero literatura aquelas obras que nos dão algo a mais, algo novo, criativo, que nos faz pensar, sentir, principalmente – que me motiva a continuar escrevendo. É difícil distingui-la, em meio à enxurrada de livros que se publicam atualmente: estamos atolados em pilhas de coisas chochas, podres, confusas, idiotas. Mas sairemos desta.2 – Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê? Vivo afastada de “eventos” , grupos e “acontecimentos”, literários ou não... e a verdade é que nenhum livro contemporâneo, brasileiro, está fazendo balançar meu coração. Há alguns que leio com agrado, mas é tudo. Mas os roma...  Ler Tudo >>

Claudio Willer

[26-02-2010] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Nosso mundo é tecnológico e imediatista há muito tempo. Sociedade industrial existe há uns 250 anos. No começo do século XX, o então prestigioso prosador francês Pierre Loti, um acadêmico, afirmava que o cinema ia acabar com a literatura. Já os surrealistas e outros inovadores assimilaram a sintaxe cinematográfica e a incorporaram á criação literária. Nunca se publicou tanto como hoje; e a literatura continua a renovar-se; a criatividade sabe dialogar com inovações tecnológicas sem que, por isso, os criadores se tornem ideólogos da sociedade burguesa. Quanto à outra pergunta implícita em sua pergunta, diria que literatura e meio digital interagem muito bem. O meio digital contribuiu para a criação (ah, como eu queria que existissem computadores pessoais quando re-datilografei sete vezes uma tradução de um poema de Ginsberg e a...  Ler Tudo >>

Andréa del Fuego*

[19-02-2010] |
1 - No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?A literatura sempre precisou de um drive, ela não se transporta sozinha pelo ar, no caso, o livro foi seu melhor suporte até agora. O livro chegou até aqui e acho que avançará porque é um drive seguro e estável. A literatura não deixará de nos encontrar, nem que seja apenas alguns poucos desocupados ou aqueles com menos pressa. A tecnologia acelerou nossa visão e nossas necessidades, a literatura é um descanso dessa aceleração pela própria leitura que ela exige, pelo tempo que ela exige para nos transportar.2 - Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?O último acontecimento literário foi o que há de mais antigo, a...  Ler Tudo >>

Carlos Vogt*

[11-02-2010] |
1. No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?A questão do veículo na circulação do fato literário, da produção literária tem, é claro, um papel importante, no que diz respeito ao alcance social dessa produção, tal como ocorreu de maneira impressionante e crescente com a invenção da imprensa e da multiplicação industrial do livro. O meio eletrônico, potencializado a partir da invenção do computador pessoal, com o desenvolvimento acelerado das novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs), tem e terá cada vez mais um papel fundamental na capacidade do alcance social da literatura, como aconteceu com a invenção da imprensa há séculos atrás. Num caso e no outro, ...  Ler Tudo >>

Miguel Sanches Neto*

[03-02-2010] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Em uma idade de permanente superação tecnológica, a literatura faz cada vez mais sentido, mas dentro de um outro padrão de produção e de consumo. A forma de recepção do texto literário modificou, mas ele continua com uma grande força humanizadora. Antes, a idéia de totalidade do texto funcionava no sentido de propor uma compreensão pessoal da realidade. Um autor propunha um modelo. Hoje, fragmentou-se tanto o tempo, por conta das novas mídias, que esta compreensão se dá em pequenas fatias, e é multifocal. O leitor de hoje é um colecionador de fragmentos, e quer ele próprio construir uma percepção das coisas. As percepções são coletivas e mutantes, nascendo de um outro ponto de vista: não é mais o de um autor, mas o de um conjunto de autores, consumidos tumultuadamente, e que se unem apenas neste leitor criativo, que customiza ...  Ler Tudo >>

Raimundo Carrero*

[28-01-2010] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?R - É claro que teremos sempre problemas com o imediatismo daqui para a frente. A urgência da leitura, a urgência do texto. Mas talvez por isso mesmo teremos mais tempo para o espírito. Contradição? Pressa? De forma alguma. Estou convencido de que o ser humano ganhará mais tempo e mais espaço à maneira que as máquinas trabalharem por ele. Nesse ponto sou radicalmente otimista. As revoluções tecnológicas serão feitas a favor do homem e não contra ele. 2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?R - A conquista do Prêmio Machado de Assis, da Biblioteca Nacional, com o meu romance "A minha alma é irmã de Deus". Eu estava inquieto, deprimido, tocado mesmo por "essa pressa que estraga o verso", de que fala o poeta. E eis que o telefone toca e a voz ...  Ler Tudo >>

Cida Sepúlveda

[21-01-2010] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Não tenho dúvidas que a literatura tem sentido. Afinal, sua matéria-prima é o humano, a cultura humana. Não importa o estágio em que esteja a cultura. Se há algo a ser questionado são as condições de criação num mundo que não distingue o autentico do frívolo. Nem por isso a literatura perde o sentido, mas o mundo sim é que perde a poesia que a literatura exprime.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Foi a participação no Sarau promovido pelo Espaço Cultural Zumbi dos Palmares, da Câmara Legislativa Federal, em Brasília, um evento que acontece a cada dois meses, fruto de um trabalho sério, sem fins lucrativos e sem fins exibicionistas, com  a participação de pessoas de vários setores da cidade, um acontecimento que o Brasil inteiro deveria aplaudir.3- Fale-no...  Ler Tudo >>

Maria Teresa Loureiro

[14-01-2010] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Precisamente por o mundo estar cada vez mais tecnológico e «instantanista» é que a literatura, tal como a aprendemos, tem cada vez mais importância. Haverá maior prazer do que folhear um livro e «sentir» o aroma do papel no comboio, no metro, no autocarro, na cama, no sofá, sentado num banco de jardim? Uma companhia inseparável que se adapta a todas as ocasiões.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?O lançamento do meu segundo romance, MEMÓRIAS DE PAPEL.3- Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos. O último livro que escrevi? MEMÓRIAS DE PAPEL.No que uma zanga com as palavras nos pode transformar.4- Pensa que a literatura e a rede poderão vir a ter, de algum modo, um destino comum?A literatura ...  Ler Tudo >>

Cristina Carvalho

[07-12-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido? Para todos os que amam a literatura, o sonho que a leitura proporciona, a elevação aos céus e o esquecimento da terra que a leitura proporciona; o cheiro duma boa lombada de livro; o passar dos dedos por uma bela capa; o querer e o não querer o final da história; o procurar, a busca dum livro que há muito não líamos na nossa própria biblioteca, como ratos curiosos; o limpar do pó desses mesmos livros nessa mesma nossa biblioteca; o cuidado, o mostrar e o aconselhar dum livro a alguém de quem gostamos, um amigo, um filho, um vizinho e, sobretudo, o apresentar, pela primeira vez na vida, a uma criança, esse objecto de mistério que constitui um livro e saborear de seguida as suas perguntas e satisfazer a sua curiosidade. Tudo isto devia continuar a ser palpável, de "carne e osso". Livros em computador?? Sim, se calhar ...  Ler Tudo >>

Marcelo Moutinho

[18-09-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido? Acho que é uma liberação que a literatura não tenha o papel pedagógico que algum dia teve. Como diz o escritor argentino Sergio Chejfec, hoje a literatura voltou a ser uma “arte murmurada que reúne uns poucos ao redor do fogo”. Ela perde sua grandiosidade, mas fica mais próxima da experiência.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Estive na Flip, em Parati, que superou minhas expectativas. Em vários momentos, como na leitura de Eucanaã Ferraz de “Evocação do Recife” e nas falas de Atiq Rahimi e Antonio Lobo Antunes, pensei: “faz sentido”.3- Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos. “Mais ao sul” é um livro de contos que tem uma coesão relacionada com a estrangeiridade. Eles foram sendo constr...  Ler Tudo >>

João Mário Caldeira

[01-09-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido? Custa-me a crer que alguma vez o homem possa dispensar os impulsos afectivos e menos conscientes que dimanam da obra literária. Penso até que será nela que cada vez mais a humanidade se refugiará para escapar à alienação da vertigem tecnológica. 2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê? Talvez não seja um acontecimento mas o surgimento de uma camada de novos autores que irão deixar marca no panorama literário português, entre outros Miguel Sousa Tavares, Luís Peixoto, Rui Cardoso Martins, Figueira Mestre. 3- Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos.  No meu livro "Discurso do Sol" pretendi arrumar coisas já escritas (e algumas publicadas) sobre o Alentejo, de modo a dar alguma coerênc...  Ler Tudo >>

Sofia Amaro

[24-08-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Sim, a literatura terá sempre um lugar cativo mesmo perante a nossa herança histórica, embora as novas tecnologias tentem abrir novos caminhos à criação literária, possibilitando uma interacção com o leitor ou mesmo uma inclusão de outros elementos. A literatura neste mundo tecnológico traduz-se num certo desconstrucionismo e na dissolução do carácter linear do texto, mas no entanto penso que o livro em suporte papel nunca será substituído. 2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Foi A Estrada de Cormac McCarthy. Desvela-nos cruamente o instinto de sobrevivência de um pai e filho num mundo completamente devastado. É um mundo apocalíptico que provoca uma meditação sobre a finitude humana. Uma história de sobreviventes num mundo caótico e indigente.3- Fale-nos r...  Ler Tudo >>

Marsilio Cassotti

[19-08-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Creo que, en primer lugar, sigue teniendo sentido “terapeútico” para la persona que la crea. Ahora bien, como la literatura implica la necesaria existencia de un lector ajeno a la obra, la transmisión y permanencia de esta dependerá de la capacidad que tenga su creador para sortear los “dictados” de la tecnología y las “tentaciones” de las satisfaciones efímeras sin valor. 2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?La reacción del escritor Roberto Saviano depués de haber sido amenazado de muerte por la “camorra” (la mafia napolitana), a raíz de la publicación de su obra “Gomorra”, convertida rápidamente...  Ler Tudo >>

Paloma Vidal

[07-08-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Acho que é uma liberação que a literatura não tenha o papel pedagógico que algum dia teve. Como diz o escritor argentino Sergio Chejfec, hoje a literatura voltou a ser uma “arte murmurada que reúne uns poucos ao redor do fogo”. Ela perde sua grandiosidade, mas fica mais próxima da experiência.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Estive na Flip, em Parati, que superou minhas expectativas. Em vários momentos, como na leitura de Eucanaã Ferraz de “Evocação do Recife” e nas falas de Atiq Rahimi e Antonio Lobo Antunes, pensei: “faz sentido”. 3- Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse ...  Ler Tudo >>

Marcelo Moutinho

[17-07-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Certamente. A tecnologia e a crescente aceleração do mundo, que Paul Virílio comenta tão bem, não são capazes de solapar o barro que constitui a literatura: a capacidade de falar sobre a realidade à medida que a constrói. Os grandes dramas humanos, seja na era de Guttemberg, seja na era da internet, são os mesmos. Em suma, mudam os meios, mas a essência permanece. 2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?A recente palestra de Antonio Lobo Antunes na Festa Literária Internacional de Paraty. Porque ao falar com singeleza e profundidade sobre a arte da literatura, ele ajudou a renovar minha fé no ofício de escrever. Não é po...  Ler Tudo >>

Entrevista Lúcia Rosa - Coletivo Dulcinéia Catadora

[13-07-2009] |
1)      Fale um pouco da origem do coletivo.O coletivo segue a idéia básica do Eloísa Cartonera, um grupo que iniciou suas atividades na Argentina há seis anos, reconhecido em vários países por sua atuação artística e social, e convidado para participar da 27ª Bienal de São Paulo. Apresentou-se no pavilhão como uma oficina em funcionamento permanente. Ao grupo argentino somou-se a participação de catadores, filhos de catadores e artistas brasileiros. Eu já trabalhava com catadores de papel, e tinha contato com um dos fundadores do projeto, Javier Barilaro. Quando o Eloísa veio para a Bienal reproduzir sua oficina, tal como funcionava em Buenos Aires, foi solicitada minha colaboração pela curadoria da Bienal, por sugestão do grupo argentino. O contato e a parceria com o Movimento Nacional dos Catadores de Recicláveis tornou po...  Ler Tudo >>

Clara Macedo Cabral

[03-06-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Esta pergunta parece-me partir de presunções curiosas. Primeiro, parece sugerir que a literatura não existia antes do Iluminismo. Depois, parte de uma grande dose imaginativa: o que é que a literatura tem a ver com tecnologia? Aqui em Londres onde vivo, ainda não vi uma única pessoa a ler e-books. Querem-nos convencer do contrário, eu sei, mas não vejo evidências nenhumas de adesão do público ao e-book e do desaparecimento do livro. Em terceiro lugar, tenho tido uma série de reacções de pessoas que me dizem ter lido o “Há Raposas no Parque- Crónicas de Uma Portuguesa em Londres” de rajada, por vezes até, em 24h. Querem mais “instantanismo” que isto?2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Estive numa festival de literatura juvenil em Londres em Fevereiro, no So...  Ler Tudo >>

João Pereira Coutinho

[27-05-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido? Tem todo o sentido. Por dois motivos. Em primeiro lugar, porque a literatura foi, é e continuará a ser coutada de uma minoria que tem com o livro e o seu mundo (o silêncio, o recolhimento, etc.) uma relação insubstituível. Em segundo lugar, porque a profusão de informações virtuais valorizará uma formação prévia e clássica que permitirá ao novo homem tecnológico do século XXI fazer uma distinção mais rigorosa e útil daquilo que lhe interessa no meio da lixeira e do caos. 2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?A única coisa que me "toca", literariamente falando, é a descoberta de um novo autor. Isso aconteceu com um romance recente de um escritor que nasceu no mesmo ano que eu (1976): James Scudamore, com o seu "Heliopolis".3- Fale-nos res...  Ler Tudo >>

José Mário Silva

[20-05-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Tem sentido, sim. Aliás, acredito que a literatura tem hoje mais sentido do que nunca. É justamente por vivermos numa época de vertigem que precisamos do vagar e da profundidade que, em muitos casos, só a literatura nos dá. 2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Não foi um, foram dois. Primeiro, a descoberta de um autor extraordinário: Roberto Bolaño. Em 2008, a Teorema publicou Os Detectives Selvagens, um magnífico mosaico de histórias que se espalham pelo mundo (da Cidade do México a Espanha e ao deserto de Sonora), revelador da mestria de um narrador daqueles que só aparecem uma vez em cada 20 ou 30 anos. O outro acontecimento foi ...  Ler Tudo >>

Luís Proença

[22-04-2009] |
1 - No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido? Luís Proença: O livro tem sabido resistir às novidades tecnológicas. O sucesso universal em termos de vendas de sagas como a do Harry Potter, as memórias de celebridades, certas selecções de clubes de livros , e até mesmo a ficção literária, continua pujante entre os leitores. Apesar de tudo penso que os hábitos ainda resistem às mudanças tecnológicas, e que estas até têm promovido mais o livro. Já não será tanto assim com a indústria que serve esses hábitos. Uma prova disso é o aumento das vendas de livros pela internet.  Embora reconheça que os editores enfrentarão tempos difíceis, estou optimismo quanto ao futuro do livro. &nb...  Ler Tudo >>

Miguel Marques

[08-04-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Ao falar-se de um "mundo tecnológico e instantanista", no qual, sem sombra de dúvidas, vivemos, poder-se-ia pensar que, na história da Humanidade, em alguma altura, se colocou a "cultura", ou as artes, em que forma seja, em algum pedestal, ao contrário do que acontece nos nossos dias. Esta convicção é, em meu entender, errada. Em todas as épocas, as diversas formas de arte tiveram subjacente uma reacção, ainda que por vezes quase imperceptível, no que concerne ao conjunto de normas e convicções vigentes, sendo esta questão da sua necessidade, ou mera existência, sido sempre posta em equação de alguma forma. Por outro lado, não considero que esta nova realidade retire a vi...  Ler Tudo >>

Maria do Rosário Carvalhal

[01-04-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Sim, sem dúvida.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê? O único português que ganhou o Prémio Nobel da Literatura, José Saramago.3- Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos.O meu livro "Uma Terra ao Sul" retrata paisagens habitadas por gentes simples e únicas, a quem a terra marca e prende, no seu poder de influenciar destinos e caminhos. Esses destinos ligam o passado ao presente, ainda marcado pela nostalgia e solidão, onde o futuro não tem "alma" para voar.4- Pensa qe a literatura e a rede poderão vir a ter, de algum modo, um destino comum?Não, nada poder&aa...  Ler Tudo >>

Rui Costa

[27-03-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?O livro sólido, com peso de papel manchado de tinta, continuará a ter sentido enquanto usarmos as mãos que ainda temos, e o som do virar da folha do livro que não desistimos de ler continuará a ter sentido - enquanto reconhecermos esse peso e esse som como elementos físicos e simbólicos do acto de ler. Mas o nosso corpo está a mudar, e um dia faremos o download de livros no nosso cérebro em poucos segundos. Nessa altura os livros serão ainda mais virtuais, exactamente como o nosso corpo.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Um acontecimento à minha (pequena) escala: as críticas arrasadoras, e em parte merecidas, ao primeiro romance de uma pess...  Ler Tudo >>

José Afonso Furtado

[18-03-2009] |
1 - No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Certamente que sim. A minha tentação imediata é responder com outra pergunta clássica: e depois de Auschwitz, a literatura ainda tem sentido? Mas não irei por aí. O estatuto do literário é um facto histórico e um constructo social, englobando posições ideológicas, jogos de poder e de exclusão e mecanismos de (auto) legitimação. A falência do projecto de uma «literatura universal» e, particularmente, o de uma literatura «nacional», representa, isso sim, a relativização da matriz iluminista que o enformava. Mas, antes e depois, o literário sempre encontrou, como o mostra Helena Carvalhão Buescu, «a capacidade de se ir transformando e mesmo de integrar perdas e as suas dificuldades num projecto que, por ser permeável ao rumor dos tempos, como queria Calvino, se torna por isso, simultaneamente, o que melhor inaugura outros tempos...  Ler Tudo >>

Onésimo Teotónio Almeida

[11-03-2009] |
1 - No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Posso autocitar-me de um textito que li nas Correntes d'Escritas deste ano a responder a uma pergunta/tema semelhante que foi dada à minha mesa?"Não há respostas; só estórias. E é aí que entra a literatura, a entreter-nos com as respostas dos outros, que têm a vantagem de poder ser lidas sem sofrimento, ou pelo menos com sofrimento apenas virtual. Vamos, por seu intermédio, sabendo como é que o nosso semelhante lidou com as grandes questões e como foi escorregando e batendo com a testa contra as paredes, ou esfrangalhando os ossos em abismos. Tudo isso no conforto de um sofá, ao calor da lareira. Poderá haver melhor? Ficaria assim ressalvado o tema que me deram: a literatura como último sentido tendo em conta a m...  Ler Tudo >>

Isabel Fraga

[04-03-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?A literatura terá sempre sentido. Apenas para um número menor de leitores.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Não sou muito de «acontecimentos literários» seja qual for a sua natureza.3- Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos. O meu último livro foi «A Desenhadora de Malvas». É a história de uma casa na Lapa, onde persiste o espírito de uma mulher que lá viveu há cerca de cem anos. Esse espírito interage de uma forma muito subtil com a família actual, não só ao nível das relações amorosas, mas tamb&eacu...  Ler Tudo >>

Jorge Silva Melo

[27-02-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?*Não entendo a expressão "ter sentido". Na altura do Iluminismo, eu não era vivo. Nasci depois de Auschwitz, quando se perguntava, com justeza, se a literatura seria possivel. É. Aquilo que agora é mais difícil é sabermos onde e quem a faz, submersa, estrafegada pela mercadoria livresca. Mas não terá sido sempre assim, coisa entre nós os quatro (gatos-pingados)? Para Maiakovski, a literatura também deixou de ser possível - e porquê?2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?A edição de WALLENSTEIN de Schiller na tradução de Herminia Brandão (Campo das Letras). Um trabalho gigantesco, primoroso, imp...  Ler Tudo >>

Carmo Miranda Machado

[18-02-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Todo o sentido e exactamente por vivermos neste mundo da pressa e do instantâneo. É a Literatura que ainda nos permite parar um pouco, olhar para dentro e sorrir.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?A publicação da obra de Carlos Ruiz Zafón, A Sombra do Vento.3- Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos.É um livro de mulheres para mulheres onde os homens se poderão rever pois fala da essência de estar vivo: nele se cruzam os temas que fazem uma vida... o amor, o desamor, a sanidade, a loucura, os encontros e desencontros, a profissão ou a falta dela. São personagens em busca do se...  Ler Tudo >>

Raúl Mesquita

[04-02-2009] |
1. No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Creio que sim. Tal como a literatura de ficção científica tinha, no passado, um grande impacte, hoje em dia a literatura "clássica" tem-no na idade tecnológica. Evasão, chamemos-lhe assim.2. Qual o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?O 1º prémio Nobel Português de Literatura. Porquê? Porque mostra ao mundo que existem, actualmente, em Portugal, pessoas capazes de afirmar mundialmente a Literatuta Portuguesa. 3. Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos.Pensem na solidão. Pensem quantas vezes falamos connosco porque não temos ninguém com quem falar, i.e, falar, realmente. Eis o meu romance O Pai e os outros! 4. Pensa que a literatura e a rede (Internet) poderão vir a ter, de algum modo, um destin...  Ler Tudo >>

Augusto Carlos

[22-01-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Creio que hoje, mais do que nunca, grandes franjas da humanidade começam a chegar à conclusão de que a razão, por si só, jamais conseguirá explicar o Homem no seu todo. A crise económica, a degradação ambiental, a guerra, o egoísmo... se quisermos, o capitalismo desenfreado, alertam-nos para a falência do sonho tecnológico, da competição e do consumismo exagerado nos países ditos desenvolvidos. Assim, estou em crer que uma literatura que, para além de recreativa, patrocine, igualmente, uma reflexão baseada na experiência atenta do autor ao quotidiano, não só tem ainda sentido, como urge ser desenvolvida, de modo a massificar o conceit...  Ler Tudo >>

António Manuel Venda

[12-12-2008] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?A literatura tem o sentido que cada pessoa lhe quiser dar, como aliás desde há muito acontece, e como acredito que sempre acontecerá. O mundo, mais ou menos tecnológico, mais ou menos instantanista, terá sempre lugar para as histórias que nos emocionam, que nos fazem pensar, que são capazes de nos arrancar um sorriso. E o mesmo, como se comprova cada vez mais, para as outras histórias, aquelas escritas tipo o que vem à rede é peixe.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Foi a edição de obras de José Cardoso Pires pelo editor Nelson de Matos. Talvez tenha sido o acontecimento decisivo para que o escritor fosse lembrado em Portugal de...  Ler Tudo >>

Mário de Carvalho

[28-11-2008] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Teria sentido nos tempos dos caracteres cuneiformes, avenidas processionais, deuses grotescos e horrendos sacrifícios humanos? E nos tempos gregos de constantes guerras entre cidades, piratarias, escravatura e profundas crendices? E nos tempos italianos dos condottieri, das pestes e das batalhas de São Romano? E nos tempos pavorosos e abrasados dos holocaustos do século XX? Todo o texto é (sempre foi) um hipertexto. A nova tecnologia enriquece, o suporte é apenas uma derivante do sentido: o cheiro do barro, o crepitar do papiro, a macieza do pergaminho, o grão do papel, a claridade da tela, ou suporte nenhum. Bastam dois vocábulos e dois humanos para haver literatura.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, ...  Ler Tudo >>

Helena Carvalhão Buescu

[19-11-2008] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Sem dúvida. Não acredito no apocalipse literário (ou artístico, aliás). Que as práticas se vão transformando, bem como os processos da sua comunicação e fruição, parece-me evidente. Será que isso significa necessariamente o fim da literatura (ou da arte)? Não me parece. A própria pergunta contém uma parte da sua resposta: antes e depois do iluminismo houve imensas coisas que, com o nome ou não de literatura, se dirigiram a essa capacidade de imaginação que, entre outras coisas, integra as artes - e a literatura em particular, específica imaginação verbal.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Po...  Ler Tudo >>

Sofia Pinto Correia Melo

[30-10-2008] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?A literatura, é  fixar uma ideia, imortalizar um momento para que possa posteriormente ser vivido e sentido pelo leitor. Contrariamente  ao tal mundo, sobretudo ocidental e europeu, em que o instante, o  indivíduo, o apreender globalmente o mundo, adquiriu maior  importância. Nós precisamos de preservar os sentidos, as memórias, a imaginação. É isso que nos separa das máquinas. Por enquanto...2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Um simples gato senta-se no degrau da entrada da casa. Observa o que o rodeia, indeciso entre ser social e responder aos chamamentos carinhosos de quem passa ou, acomodar-se num canto. Intriga-o, por um m...  Ler Tudo >>

José Leon Machado

[24-10-2008] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Não tem. Essa literatura era apenas para alguns, dirigia-se a uma elite. A literatura da actualidade, tirando algumas excepções, dirige-se ao público em geral, ignorante, pouco exigente e apressado. Os autores venderam a alma ao marketing. Vivemos numa ditadura do leitor e já muito poucos escrevem o que querem e como querem. E se o fazem, ou têm nome na praça e vão sobrevivendo à custa disso, ou ninguém os compra e lê. Os escaparates das livrarias e dos hipermercados estão cheios de lixo literário. Mas é disso que as pessoas gostam. Como os concursos e as telenovelas. A televisão dá o que a ralé gosta. Assim fazem as editoras e os escritores.2- Qual foi o último acontecimento literário...  Ler Tudo >>

Alexandre Coutinho (autor do livro O Mensageiro de Fidel/ Editora Guerra e Paz)

[08-10-2008] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?A literatura é, por excelência, o grande espaço de comunicação entre os homens, mais precisamente, aquele que perdura para além do efémero da informação instantânea. Por mais evoluções tecnológicas e suportes que possam advir, haverá sempre espaço para bons textos, se possível em livros. No fundo contar estórias é a mais antiga forma de inter-agir entre os homens dotados de imaginário, fantasia e sonhos.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?A reedição dos livros mais emblemáticos do escritor açoriano José Dias de Melo – “Pedras Negras”, “Mar Rubro” e “Mar pela Proa” – pela editora Ver Açor, em Abril de 2008. Com 83 anos de idade e mais de 50 de vida literária, Dias de Melo tem uma obra de referência que perpétua o seu nome, os Açores e as suas gentes, especi...  Ler Tudo >>

João Tordo

[25-09-2008] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Tem sentido SOBRETUDO num mundo assim. A velocidade da fibra óptica não é a velocidade natural do homem. As palavras de um romance serão sempre as palavras mais importantes que lemos, por mais websites que se visitem - quantidade e fluxo não são sinónimos de qualidade e nunca foram. A literatura é pausada, tem respiração, pulmões e coração como o ser humano. E é preciosa, nos nossos tempos, para combater a efemeridade do digital.  2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Eu não sou um tipo muito "literário"...ou seja, frequento pouco o meio. Mas talvez tenha ficado particularmente contente quando, por exemplo, o José Saramago recuperou da doença que o afligia. Adoro os livros dele.3- Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê...  Ler Tudo >>

valter hugo mãe

[04-09-2008] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Não creio que as artes percam sentido. Poderão passar por entusiasmos diferentes, mas exercerão sempre fascínio. Fala-se muito na hipótese de morrer o romance. Em Portugal, quando se começou a levantar essa questão, apareceu o Saramago, o Lobo Antunes, o Mário de Carvalho, a Lídia Jorge e tantos outros, alguns dos quais dignificaram e popularizaram o género como nunca antes. O instantâneo está a criar uma literatura mais instantânea, uma boa e outra má. A maior parte talvez seja má, mas na história também não ficaram a maior parte dos escritores.  2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Várias ...  Ler Tudo >>

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24-27 Fev. 2010, Póvoa do Varzim
Pedro Teixeira Neves

Um texto de Milton Fornaro

Ainda as Correntes, como entes queridos a delirem-se devagar no ferro dos dias, na estranheza da ausência. Eis o belo texto aí lido pelo escritor uruguaio Milton Fornaro.CADA PALABRA ES UN PEDAZO DE NOSOTROS MISMOS  “Dijo Dios: ‘Haya luz’, y hubo luz. Vio Dio...  Ler Tudo >>
[03-03-2010]  |  ptn
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Cervantes, Gargantas e Pitos

Regressa-se da Póvoa e sentimo-nos mais pobres. Em casa, voltamos a ligar a televisão à hora dos telejornais, o mundo, como um aluvião de desgraças, invade-nos a sala e os ouvidos. Regressam, pela manhã, as filas de trânsito, as filas congestionadas de...  Ler Tudo >>
[02-03-2010]  |  ptn
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coisas assim na retina acorrentadas

A bonita lembrança de Rosa Lobato FariaO vento destas CorrentesO capacete mineiro de Manuel da Silva RamosA Barbie com defeito de produçãoAurelino a tocar e a dizer poesiaA incrível história de Malangatana descendo de um hotel pela janela na horizontalPorque foi t&...  Ler Tudo >>
[28-02-2010]  |  ptn
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Acorrentados - 5

Quatro da manhã. Lá em baixo ainda anda gente... (cantaria o Sérgio Godinho) São os resistentes das Correntes. É a última noite, a já famosa noite de sábado. Aurelino vai a casa buscar a guitarra. Falta-lhe um espanhol para o quadro ficar compl...  Ler Tudo >>
[28-02-2010]  |  ptn
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Livros, alguns livros

Os lançamentos de livros são um outro must das edições das Correntes. O ano presente não escapou à regra e muitos têm sido os livros aqui apresentados em primeira mão. Eis alguns deles: Manuel da Silva Ramos lançou «Três Vidas...  Ler Tudo >>
[27-02-2010]  |  ptn
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As Correntes nas Escolas

O título deste post parece coisa de antanho, que de «correntes» em escolas já lá vai o tempo. Isto, descontado o aparte de hoje em dia muitos professores se sentirem acorrentados às escolas, mas isso por via de outros quinhentos para aqui não chamados. ...  Ler Tudo >>
[27-02-2010]  |  ptn
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Acorrentados - 4

1.       Afinal, o Papa morreu ou não?2.       O Onésimo, já chegou?3.       E o Albano Martins, nunca foi convidado?4.       Sabias que ele era primo direito ...  Ler Tudo >>
[26-02-2010]  |  ptn
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Pedra a Pedra... a poesia, os poetas, as pedras

Leitura do texto desenvolvido a partir do mote:«Pedra a pedra, o poeta constrói o poema» algumas aproximações entre pedras, poemas e poetas: O poeta monumenta as emoções; por isso há poemas e livros que se confundem com catedrais.O poet...  Ler Tudo >>
[26-02-2010]  |  ptn
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Acorrentados 3

Dia de trabalhos forçados para este escriba aqui na Póvoa. Presença numa mesa de debate pela manhã, ao meio-dia e picos lançamento de um livro, à tarde encontro numa escola preparatória (ébês, como lhes chamam hoje…) de Rates. Agor...  Ler Tudo >>
[25-02-2010]  |  ptn
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Acorrentados - 2

Não está fácil, confesso que não está fácil. A edição das Correntes deste ano parece-me com dificuldades em impor o seu ritmo habitual. Talvez seja do mau tempo que por aqui se tem abatido, talvez seja das muitas caras novas ainda pouco à...  Ler Tudo >>
[25-02-2010]  |  ptn
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Correspondências

Porquê Portugal? Exemplos de uma existência inspiradora

Já não é uma novidade no panorama musical mundial, mas um nome destes desperta sempre curiosidade a um português, especialmente se os membros desta banda são provenientes do longínquo Alaska. Tenho andado a ouvir os Portugal.The Man desde o ano passado &ndash...  Ler Tudo >>
[18-02-2010]  |  Susana Leite, em Leipzig
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Cuentame un cuento

Havia muito de Umberto Ecco na aula aberta ao público de Antonio Muñoz Molina ontem à noite no King Juan Carlos I of Spain Center, parte do campus da New York University, o edifício de número 53 ao sul do grandioso Washington Square.  Na sala reservada ao evento, não se ouve o inglês enquanto uma se...  Ler Tudo >>
[11-02-2010]  |  Kátia Gerlach
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Adeus migrante

A princípio, são as meias vermelhas que nos distraem e fazem reparar na combinação com a camisa também vermelha mas em outro tom, o terno é marron escuro, o blazer descasado.  Um homem visivelmente mais jovem do que a idade, um sotaque aplicado à pronúncia rastejante, um pessimista, medroso, por nat...  Ler Tudo >>
[09-02-2010]  |  Kátia Gerlach
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“Ora ouve…”

Entre Osnabrűck e Porto, que paralelo biográfico melhor para se ler Ilse Losa na direcção contrária àquela que ela geograficamente deu à sua vida. Uma vida que na tragédia da História da Alemanha encontrou porto de abrigo no Porto de onde eu provenho e que nessas trocas interculturais perdeu ou...  Ler Tudo >>
[12-01-2010]  |  Susana Leite
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Brooklynites

Artistas plásticos, músicos, poetas e escritores encontram no Brooklyn refúgio e cenário e dali partem para expedições ultramarinas na Califórnia, na Índia, na França, na América Latina, na África, a book tour perhaps.  Discussões literárias, conversas boêmias, propostas, idéias para livros em ebuli...  Ler Tudo >>
[18-12-2009]  |  Kátia Gerlach
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1º aniversário - depoimentos

Sofia Bragança Buchholz

Tem-se assistido a uma vitalidade do livro, apesar de tantas vezes ter sido profetizado o seu fim. Em vez de desaparecer, ele tem encontrado novos formatos e beneficiado com esse grande canal de divulgação e de distribuição que é a Internet. O mesmo seria inevit&aa...  Ler Tudo >>
[15-09-2009]  |  Sofia Bragança Buchholz
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CENTRO NACIONAL DE CULTURA
Parceria

A VIDA DOS LIVROS - de 8 a 14 de Março de 2010

Alexandre Herculano nasceu há duzentos anos, a 28 de Março de 1810. Assinalamos a efeméride, recordando a obra de António José Saraiva, “Herculano e o Liberali... 
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[08-03-2010]  |  Guilherme d'Oliveira Martins
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Espaço editorial

Espaço reservado a eventual Parceria.... 
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[28-10-2008]  |  Vítor Coelho da Silva
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Literatura Popular
Literatura Infanto Juvenil

Brainstorming: água – chuva: chuva – nuvem; nuvem – céu; céu – terra; terra – mar; mar – rio; rio – fonte; fonte – sede. Água.

Quadras de Felícia Festas Hortinhas (natural de Évora): É um bem essencialCai do céu nasce do chãoDá-se a todos por igualNão fazendo distinç... 
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[17-02-2010]  |  Fala de dois poetas populares alentejanos
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LOBISOMEM

Acreditar em mitos e lendas na era da técnica, da tecnologia e da suspensão do maravilhoso: dois textos de quem não perdeu a capacidade de se espantar…  o poeta brasileiro Carlos Alberto Pessoa Rosa[1... 
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[18-12-2009]  |  Maria João Brinquete
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Passo o tempo com a enxada na mão…

Poesia Popular à maneira tradicional: Uma décima[i] do poeta popular alentejano Domingos José Pinto[ii], onde se narram os esforços hercúleos de um hortelão para defender o seu território de uma prese... 
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[26-10-2009]  |  Maria João Brinquete e Paula Sande, Maria João Brinquete e Paula Sande
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Cuidado com a língua! De acordo?

Recomeça hoje, na RTP1 (às 21h18), o programa Cuidado com a Língua! Uma ideia de José Mário Costa (responsável pelo Ciberdúvidas). Uma bela maneira de pôr os miúdos (e os outros) a pensar na língua po... 
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[01-03-2010]  |  Letra Pequena                                                  Ver Mais >>
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Rita Ferro - 4 & 1 QUARTO

4 & 1 QUARTO conta a história de um casal que, num momento de desejo ou tédio, esquece as convenções para atrair à intimidade um homem e uma mulher. São quatro numa cama, como se fosse natural. Mas não será sempre natural, o sexo? E mesmo que fosse: brutalizará ele o amor? Aqui, as duas mulheres revivem um segredo da puberdade, os dois homens descobrem-se e atrevem-se, e, embora extraviando-se da identidade e da pertença, jamais se perdem do Amor.

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