Lá fora
[15-12-2009] | Eduardo Pitta
Na edição do passado dia 6, o New York Times publicou a lista dos 10 melhores livros de 2009. Cinco títulos de ficção, igual número de não-ficção. Ficção: a colectânea de contos Both Ways is the Only Way I Want It, de Maile Meloy (n. 1972); os romances Chronic City, de Jonathan Lethem (n. 1964); A gate at the Stairs, de Lorrie Moore (n. 1957); Half Broke Horses, de Jeannette Walls (n. 1960); e A Short History of Women, de Kate Walbert (n. 1962). Não-ficção: The Age of Wonder: How the Romantic Generation Discovered the Beauty and Terror of Science, de Richard Holmes (n. 1945; não confundir com o historiador militar homónimo); Lit. A Memoir, de Mary Karr (n. 1955); The Good Soldiers, de David Finkel (n. 1955); Lords of Finance: The Bankers Who Broke the World, de Liaquat Ahamed (n. 1953); e Raymond Carver, de Carol Sklenicka. Sem conhecer por antecipação a lista do NYT, tinha encomendado, na semana passada, o novo volume de memórias de Mary Karr e a biografia que Carol Sklenicka fez de Carver. Poeta e ensaísta — completamente desconhecida em Portugal —, Mary Karr publicou em 1995 o primeiro volume das suas memórias, The Liars’ Club (se não leu, faça-o rapidamente). Lit. A Memoir é o terceiro.
Nota curiosa: em dez livros, seis são assinados por mulheres: Meloy, Moore, Walls, Walbert (quatro dos cinco títulos de ficção), Karr e Sklenicka. Salvo melhor informação, nenhum dos dez está previsto nas “novidades” para 2010. Com certeza que não temos de andar a reboque das preferências do NYT, do El País ou do Libération. Mas custa ver tanto lixo traduzido e ter de esperar meia dúzia de anos (ou mais) por aquilo que nos interessa hoje. Sem ironia: o livro de Liaquat Ahamed ajudaria a perceber os casos BPN e BPP.
Outro exemplo: Jonathan Lethem. Quanto sei, Lethem tem um único livro traduzido entre nós, Motherless Brooklyn (1999), vencedor do National Book Critics Circle Award. Um Rapaz de Brooklyn foi o sétimo livro (e o quinto romance) que publicou. Com Chronic City, roman à clef frenético cujo plot tem epicentro no Upper East Side, Lethem volta a agitar o meio literário de Manhattan. Para quem não saiba, Lethem, agora com 45 anos (e dezasseis livros publicados, dos quais nove são romances), faz a síntese “impossível” de Saul Bellow com Philip K. Dick. A ficção científica, território de excelência, não impede a aura de autor “maldito”, com a obra associada aos conceitos de genre-bender e gentrification, factores de caução da deriva autobiográfica.
Se estas linhas servirem para espevitar os nossos editores...
Adenda. Acabo de ser informado da tradução de outro livro de Lethem em Portugal: You Don't Love Me Yet (2007), publicado pela Alêtheia em Março de 2009.
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António Manuel Pacheco
Carlito Lima
Diana Menasché















